IA consegue prever a Mega-Sena? O que os dados mostram
Análise simples do estudo que testou machine learning na Mega-Sena: por que os resultados ficam colados no acaso e o que isso ensina.
A pergunta aparece com frequência: uma IA pode prever a Mega-Sena?
O estudo completo da Datavion respondeu com método e dados. Aqui vai a versão simples, direta e sem jargão. Para os detalhes técnicos, veja:
É possível treinar uma IA para prever a Mega-Sena?.
O que foi testado
O estudo usou o histórico completo de sorteios (1996–2025) e avaliou um modelo de machine learning contra baselines claros: frequência, raras, recência e aleatório.
O ponto central foi separar treino e teste no tempo, porque qualquer método sério precisa provar que funciona fora do passado.
Ou seja: não é um experimento de “adivinhar números”, e sim de verificar se existe sinal estatístico em um processo desenhado para ser aleatório.
O que seria sinal, na prática
Em um sorteio com 6 números entre 60, o esperado para um palpite aleatório é, em média, 0,6 acertos por concurso. Esse cálculo está detalhado no estudo completo: É possível treinar uma IA para prever a Mega-Sena?. Se um método é realmente melhor, ele precisaria superar esse valor de forma consistente, ano após ano.
Foi isso que a pesquisa testou — e não encontrou.
O que os resultados mostram
No backtest de 2025, o modelo de ML ficou muito próximo do aleatório. Em análises rolling de 2000 a 2025, o padrão se repetiu: ganhos pequenos, instáveis e sem consistência estatística.

Legenda: as curvas ficam muito próximas e os intervalos de confiança se sobrepõem na maior parte do tempo.
Isso indica exatamente o que a teoria prevê: não há sinal persistente para explorar.
“Mas e se eu usar um modelo mais complexo?”
Esse é um argumento comum. Mas modelos mais complexos não criam sinal onde não existe.
Eles aumentam a chance de ajustar ruído e pioram a generalização quando há poucos dados úteis.
Em termos simples: complexidade não transforma aleatoriedade em previsibilidade.
O que esse estudo ensina (mesmo fora da loteria)
Esse resultado é um exemplo de um “teste negativo” bem feito. E isso tem valor real:
- Mostra que método importa mais do que narrativa.
- Reforça a necessidade de baselines e validação temporal.
- Deixa claro que machine learning não é mágica — ele precisa de estrutura nos dados.
Em mercados financeiros, por exemplo, há dependência temporal, regimes e estrutura. Em loterias, não.
Para ler o estudo completo
Se quiser ver a metodologia, números e resultados detalhados: É possível treinar uma IA para prever a Mega-Sena?.
Conclusão
A IA não “falhou” na Mega-Sena. Ela apenas confirmou o que a estatística já dizia: sem estrutura, não existe vantagem previsível.
Esse tipo de resultado é valioso porque protege contra ilusões e reforça o papel do método na análise de dados.
Este conteúdo é educacional e não constitui recomendação de investimento.
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